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Economia & Gestão
Partidos do poder penalizados nas eleições quando inflação e desemprego são elevados
| Partidos do poder penalizados nas eleições quando inflação e desemprego são elevados |
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| Escrito por CienciaPT | |
| 17-Sep-2013 | |
Estudo da UMinho analisou 70 países em quatro décadas e foi publicado na revista “Applied Economics Letters”As taxas elevadas de inflação, combinadas com uma intensa cobertura mediática, diminuem as possibilidades da vitória eleitoral do partido que está no poder e aumentam a competitividade política. A conclusão está num estudo da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, que relacionou o comportamento eleitoral, a inflação e os mass media em 70 países democráticos no período entre 1960 e 2006. Este trabalho do professor Paulo Reis Mourão foi publicado na conceituada revista “Applied Economics Letters”.
“Os eleitores em geral não gostam de notícias económicas negativas e a forma como as ‘leem’ pode afetar o seu sentido de voto, potenciando corridas eleitorais renhidas. Esta situação tem sucedido nas últimas décadas, sobretudo em democracias maduras e com boa cobertura da comunicação social”, refere o autor. Segundo o estudo, os eleitores da União Europeia mostram-se mais sensíveis à cobertura de notícias económicas negativas veiculadas por parte das televisões e das rádios. Já nas outras zonas do mundo são os jornais a ter um peso mais significativo na opinião pública. A pesquisa verificou algumas particularidades, como a forte correlação entre taxas de inflação e desemprego. Por outro lado, o impacto eleitoral e mediático da taxa de inflação foi, porém, atenuado nos países em que também havia simultaneamente crescimento económico e subida dos salários reais. “Os políticos e governantes preocupados com o bem-estar dos cidadãos devem ter uma utilização eficaz dos instrumentos de comunicação, fazendo boas escolhas na mensagem ao nível do timing, do conteúdo e da forma”, realça o economista da UMinho. No futuro, o seu objetivo é explorar outras variáveis, comparando por exemplo o maior acesso aos novos media e às redes sociais com os índices de desemprego e de dívida pública. Estado tende a investir em municípios populososEntretanto, Paulo Reis Mourão concluiu noutro estudo, aplicado apenas a Portugal, que os municípios da cor política do Governo não são por norma valorizados em termos de financiamento, mas sim os municípios com média/grande dimensão populacional. A investigação, intitulada “Pork-barrel versus Irrelevance efects in Portuguese public spending”, analisou o Plano de Investimentos do Estado (PIDDAC) desde 1997 e foi publicada na revista científica “Government and Policy”. “Muitos pequenos concelhos (com menos de 60.000 eleitores) até podem ser os mais fiéis de São Bento, mas a sua irrelevância põe-nos mais longe dos grandes investimentos públicos do que outros, que até podem ser administrados pela oposição mas atraem sempre mais atenção. É como as raparigas que ficam bem na foto, mesmo que não sorriam”, justifica Paulo Reis Mourão. O também membro do Núcleo de Investigação de Políticas Económicas (NIPE) da UMinho acrescenta no estudo que a transferência de verbas PIDDAC tende a ser mais generosa em anos eleitorais. |
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