Crianças sozinhas em casa
Escrito por António Pazo Pires   
19-Jun-2009

Mais três crianças morreram e ainda não chegámos ao verão. Alguém sabe quantas crianças ficam em casa entregues aos cuidados dos irmãos menores enquanto os pais vão trabalhar?

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Pois, pouco se sabe sobre os cuidados parentais prestados às crianças. A quem ficam entregues durante o dia, e a fazer o quê? Mas a razão porque todos os anos morrem crianças em incêndios domésticos é tão simples como isto. Estão em casa sozinhas. Não se pense que foi por uns breves instantes.

No Luxemburgo o abono de família é superior a 500 euros por mês. É certo que o custo de vida no Luxemburgo é bastante maior que em Portugal mas faz pensar que se trata de um país que protege os menores e lhes dá condições. O Estado tem uma responsabilidade. Todo o dinheiro investido na primeira infância é bem gasto porque os três primeiros anos são os mais importantes. Dotar o país de creches do Estado é muroso e um pouco contra a corrente liberal actual, mas investir em serviços de amas e creches familiares talvez não fosse dinheiro mal empregue. Sendo assim, em todas os casos em que os pais não podem pagar um infantário ou creche o estado devia prover esse serviço. O estado podia igualmente começar por ter estatísticas sobre a situação das crianças menores de três anos. Onde estão, com quem estão e a fazer o quê.

Os cuidados parentais envolvem quatro tipos de acções parentais. Os cuidados primários dizem respeito à satisfação das necessidades da criança, assegurando o seu bem-estar, incluindo alimentação, limpeza e segurança. Quanto aos cuidados sociais relações calorosas, afectuosas sensíveis e adequadas ao momento e idade da criança têm uma influência positiva sobre o desenvolvimento social e intelectual da criança. Os cuidados didácticos implicam proporcionar oportunidades para as crianças observarem, imitarem e aprenderem, alertar e estimular os filhos. Finalmente existe a imposição de limites e regras e respeito pela autoridade. Situações em que as crianças ficam sistematicamente em casa ao cuidado umas das outras não cumprem aquilo que é básico.

António Pazo Pires
Docente Universitário ISPA / Psicoterapeuta
Actualizado em ( 19-Jun-2009 )