| Novos dados sobre raio do protão adensam mistério |
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| Escrito por CienciaPT | |
| 25-Jan-2013 | |
Investigadores da Universidade de Aveiro na equipa autora de artigo da ScienceOs investigadores da Universidade de Aveiro (UA), João Veloso e Daniel Covita, do laboratório I3N, participam na equipa internacional autora de um artigo da Science que apresenta novos dados sobre o raio do protão. A equipa portuguesa, para além dos dois investigadores da UA, inclui Joaquim dos Santos, Luis Fernandes, Fernando Amaro, Cristina Monteiro, João Cardoso, José Lopes e Andrêa Gouvêa, da Universidade de Coimbra. A nova e mais precisa medição do raio desta partícula adensa o mistério.
Após ter feito manchete na Nature, há dois anos, a equipa internacional de 35 investigadores, 9 dos quais portugueses (7 da Universidade de Coimbra e 2 da Universidade de Aveiro), liderados por Joaquim dos Santos, Coordenador do Centro de Instrumentação da Universidade de Coimbra, publica agora novos resultados numa revista científica de topo mundial – a Science. Nesta publicação, que põe em causa uma das principais e mais completas teorias da física: a Teoria Eletrodinâmica Quântica (descreve a interação entre a luz e a matéria), a equipa de investigação internacional confirma, por meio de espetroscopia de laser, o valor inesperadamente pequeno para o raio do protão (um dos constituintes básicos de toda a matéria) no hidrogénio muónico, trazendo para a comunidade científica mais uma peça para o complexo “puzzle” do enigmático protão. Na experiencia agora descrita na revista Science foi determinado o desvio energético para uma outra transição do hidrogénio muónico. A partir deste, os investigadores puderam determinar novamente o raio elétrico do protão. O valor de 0.84087(39) fentómetros (1 Fentómetro = 0. 001 Metro) está de acordo com o valor publicado em 2010 (0,84184 fm) na Nature, sendo no entanto 1,7 vezes mais preciso. Tal como aconteceu há dois anos com a publicação na Nature, espera-se grande entusiasmo e debate na comunidade científica mundial. Os novos resultados «aumentam o nível de complexidade do enigma criado na pesquisa de 2010. Será que a teoria desprezou alguma variável? Será que existem fenómenos físicos que a teoria não foi capaz de contar? Será que há uma nova física para os teóricos descreverem? Será que o protão possui uma estrutura muito mais complexa do que se tem assumido, a qual só se pôde detetar sob a influência do pesado muão? - Vão ter de ser procuradas respostas para estas e outras questões. Da última descoberta publicada na Nature surgiu um número elevado de novos estudos científicos para tentar decifrar o o enigma», analisa o coordenador da equipa portuguesa, Joaquim dos Santos. As experiências, realizadas no Paul Scherrer Institut (PSI), Suíça, o único centro de investigação do mundo capaz de produzir uma quantidade suficiente de muões para esta investigação, vão continuar porque existe uma motivação ao nível mundial para determinar as causas deste mistério. Por isso a equipa, que inclui o Prémio Nobel da Física em 2005 (Theodor W. Hänsch lidera a grupo alemão), vai avançar com um novo teste de muões no hélio, em que serão efetuadas, pela primeira vez, medições espetroscópicas no hélio muónico. Estas medições, sem precedentes, capazes de desafiar a mais sólida das teorias fundamentais da física exigiram o desenvolvimento de sistemas altamente sofisticados e únicos. O sistema de laser foi desenvolvido pelas equipas francesa e alemã. Os detetores de Raios X foram da responsabilidade da equipa portuguesa, enquanto o sistema eletrónico de controlo e do feixe de muões foi concebido pela equipa suíça. Houve ainda contribuições por parte de elementos dos Estados Unidos e de Taiwan. A equipa portuguesa tinha a responsabilidade da conceção dos detetores de raios X necessários para observar as linhas de emissão do hidrogénio muónico e participou no desenvolvimento, montagem da experiência e na aquisição de dados no Paul Scherrer Institute (PSI), ao longo de vários anos. |
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