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Terra & Espaço
INESC TEC de olhos postos em Marte
| INESC TEC de olhos postos em Marte |
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| Escrito por CienciaPT | |
| 02-Jan-2014 | |
O INESC TEC acaba de concluir o primeiro protótipo laboratorial de um LIDAR (variante de radar com radiação laser) para aquisição de imagens 3D que pode vir a ser integrado em veículos espaciais da Agência Espacial Europeia (ESA) para missões de exploração do sistema solar (como por exemplo futuras missões a Marte). Esta tecnologia poderá auxiliar na aterragem de sondas, na navegação de robôs na superfície de planetas ou luas e até na recolha e transporte de amostras do solo de Marte para a Terra. O sistema português poderá integrar as missões da ESA ao “Planeta Vermelho” já a partir de 2018.
Os investigadores do INESC TEC Filipe Magalhães (30 anos) e Francisco Araújo (42 anos) estão atualmente a trabalhar com a Agência Espacial Europeia (ESA) no desenvolvimento de um LIDAR (variante de radar com radiação laser) que pode fazer parte da nova geração de veículos espaciais para missões à Lua e Marte. Para já, está concluído um protótipo laboratorial que permite medir distâncias e capturar imagens 3D com uma resolução de 1024 por 768 pixéis, superando largamente as soluções utilizadas atualmente nas missões espaciais. O INESC TEC, Laboratório Associado coordenado pelo INESC Porto, é uma das poucas instituições do mundo a trabalhar na aplicação desta tecnologia à exploração espacial. “A inexistência, na Europa, de detetores de grande resolução para a obtenção de imagens 3D (como os necessários para as aplicações espaciais referidas) e os elevados custos do seu possível desenvolvimento, levaram a ESA a promover soluções alternativas e de grande potencial como a proposta pelo INESC TEC. Outra vantagem do sistema é a possibilidade de miniaturizar o sensor, reduzindo substancialmente a massa e a potência consumida, exponenciando o número de aplicações e missões espaciais para o qual pode ser considerado no futuro”, salienta João Pereira do Carmo, Technical Officer da ESA. A integração deste sistema desenvolvido pelo INESC TEC permitirá identificar qual a melhor localização para a aterragem das sondas espaciais na Lua ou em Marte, através da análise topográfica do terreno, tendo por base a aquisição de imagens e as respetivas distâncias registadas para cada pixel da imagem. Os robôs exploradores na superfície do planeta também podem detetar obstáculos e movimentar-se mais facilmente graças às potencialidades abertas por este sistema, que pode igualmente facilitar a recolha e o transporte de amostras do solo de Marte para a Terra, ao localizar a posição exata da cápsula em órbita com as amostras. O sistema inovador desenvolvido por esta equipa assenta numa teoria revolucionária, denominada de “compressive sensing” (sensorização compressiva), e consegue recolher imagens com uma resolução de 1024x768 com uma câmara de apenas um detetor com apenas um pixel, sem qualquer tipo de varrimento ou movimento. Está assim garantida uma condição essencial para as tecnologias espaciais: leveza. “Nas missões espaciais, cada quilograma a mais traduz-se em milhares de euros de despesa em combustível e energia”, explica Filipe Magalhães. Além de ser leve, o sistema desenvolvido pelo INESC TEC apresenta-se como uma excelente opção para recolha de imagens 2D e 3D e para realizar medições em comprimentos de onda que até à data eram impossíveis ou então muito dispendiosas, como por exemplo, Micro-ondas, Terahertz, Ultravioleta e Infravermelho. Este protótipo laboratorial foi desenvolvido no âmbito do projeto CYCLOPS (em alusão aos gigantes da mitologia grega possuidores de um só olho, tal como o sistema tem um detetor com só um pixel), um projeto financiado pela Agência Espacial Europeia. O INESC TEC conta arrancar com uma segunda fase de desenvolvimento deste sistema inovador já no início de 2014. |
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